Este artigo examina como os países da América Latina e Caribe (ALC) navegam na rivalidade geopolítica entre os Estados Unidos e a China, equilibrando laços históricos com o primeiro ao mesmo tempo que aprofundam o engajamento com o segundo. A região desempenha um papel ativo tanto em iniciativas multilaterais amplas quanto em ações regionais direcionadas de ambos os países. O artigo analisa o posicionamento da ALC na rivalidade por meio de três ângulos analíticos distintos: padrões de votação na Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU); a Cúpula das Américas (CdA); e o Fórum China-CELAC (FCC). Argumentamos que a crescente influência da China na região pode ser avaliada pelas diferenças na abordagem de ambos os poderes em relação aos fóruns regionais, com o FCC preenchendo lacunas decorrentes da falta de apoio dos Estados Unidos às necessidades da região, como as demandas de infraestrutura. A primeira seção explora os conceitos de multilateralismo e minilateralismo, juntamente com o papel de ambos os fóruns regionais. A segunda seção analisa o alinhamento da ALC com os EUA e a China por meio de seus padrões de votação na AGNU. As terceiras e quartas seções examinam os documentos de consenso oficial produzidos nas reuniões da CdA e do FCC realizadas entre 2015 e 2022. Concluímos destacando como os arranjos regionais oferecem à ALC uma plataforma para equilibrar preocupações regionais em meio às prioridades estratégicas EUA-China.
Bolerim de Economia e Política Internacional | BEPI n. 43| Set./Dez. 2025